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Depois de denunciar diversas situações de injustiça que se abatem sobre os imigrantes, a carta defende alguns direitos fundamentais, como o de residência legal, o de voto, e chama especial atenção para especial atenção para a vulnerabilidade que enfrentam as mulheres migrantes, assim como para a realidade de muitos jovens descendentes, os quais, continuam a sofrer os efeitos da guetização e exclusão.
A apresentar a Carta Aberta estiveram a advogada Paula Teixeira da Cruz, o sindicalista Carlos Trindade, da CGTP, o frei Francisco Sales, da Obra Católica, e o jornalista e professor Alípio de Freitas.
Lembrando que neste ano estão previstas três eleições, os subscritores observam que se trata de um “momento decisivo para o debate sobre as opções a tomar em temas cruciais como é o caso das políticas de imigração”. E chamam a atenção para o facto de as expectativas criadas em tono da nova Lei da Imigração não terem sido cumpridas: “são inúmeras as situações de injustiça com as quais os/as imigrantes se deparam no seu dia-a-dia”, sublinham, denunciando a existência de “uma bolsa de indocumentados/as, que neste momento serão de mais de meia centena de milhar”.
Por outro lado, há crescentes entraves ao reagrupamento familiar, à renovação de documentos e ainda a necessidade de pagar “exorbitantes valores” em taxas que os imigrantes são forçados a pagar.
“Estas práticas e políticas em nada favorecem a inclusão dos/as imigrantes na sociedade portuguesa, contribuindo, pelo contrário, para o crescimento trabalho ilegal, para a desumanização das relações de trabalho e para acentuar as desigualdades sociais”, afirma a Carta Aberta.
Os subscritores manifestam ainda a preocupação com a evolução das políticas a nível Europeu, nomeadamente a Directiva de Retorno, que “representa um enorme retrocesso civilizacional que envergonha a Europa”.
Também é alvo de crítica o Pacto Europeu sobre Imigração e Asilo, um “programa político que visa consolidar medidas de criminalização e de desrespeito dos direitos dos/as migrantes, com o reforço e subcontratação do controle das fronteiras, o condicionamento do acesso ao reagrupamento familiar, a dificultação do acesso a vistos e a adopção do “Cartão Azul” (um esquema de recrutamento hiper-selectivo, em função das qualificações).”
A Carta Aberta sustenta que “apesar de a Europa precisar destes/as migrantes, sempre dominou uma relutância hipócrita em reconhecê-lo. O resultado foi um modelo migratório restritivo que alimentou a migração clandestina e o tráfico humano, e que criou um contingente de mão-de-obra desprovida de direitos, descartável, vulnerável perante a exploração laboral e para trabalhar em sectores pouco atraentes para os europeus, com altos níveis de precariedade e de sinistralidade – uma experiência de resto bem conhecida dos milhões de portugueses/as que emigraram, e ainda o fazem, para todo o mundo.”
Finalmente, a Carta defende que soluções que vão à raíz dos problemas:
O direito à residência - sem a qual a existência dos/as imigrantes é relegada a um
limbo jurídico que só alimenta a exploração laboral e a exclusão social;
O direito de voto em todas as eleições.
Deve-se ainda prestar especial atenção à vulnerabilidade acrescida que enfrentam as mulheres migrantes, assim como à realidade de muitos jovens descendentes, os quais, continuam a sofrer os efeitos da guetização e exclusão”, alertam os subscritores.
A carta Aberta termina com um desafio: o de promover um debate sério e construtivo, que envolva uma ampla participação da sociedade civil, incluindo os imigrantes. “É necessário equacionar políticas que assentem no respeito da dignidade humana e que promovam a igualdade de direitos entre as pessoas, independentemente do lugar onde tenham nascido.”
Subscrevem a Carta Aberta:
Adelino Gomes, Jornalista
Alípio de Freitas, Jornalista
Ana Barradas, Editora
Ana Paula Beja Horta, Prof. Universitária
Anne Marie Delettrez, Pres. Ass. Geral da UMAR
António Avelãs, Presidente do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa
António Pedro Dores, Prof. Universitário
Bonga, Músico
Carlos Trindade, Membro da Comissão Executiva da CGTP
Christiane Coêlho, Investigadora
Chullage, Músico
Dalila Rodrigues, Historiadora de Arte
Elizabete Brazil, Jurista
Fernando Nobre, Médico
Francisco Fanhais, Cantor e Professor
Francisco Keil do Amaral, Arquitecto
(Frei) Francisco Sales, Director da Obra Católica Portuguesa para as Migrações
Frederico Lobo, Realizador
Guadalupe Magalhães, Presidente da Ass. Abril
Helena Roseta, Arquitecta
Heloísa Perista, Prof. Universitária
(D.) Ilídio Leandro, Bispo de Viseu
Irene Pimentel, Historiadora
(D.) Januário Torgal Ferreira, Bispo
João Afonso, Músico
João Brites, Encenador
João Teixeira Lopes, Prof. Universitário
Jorge Malheiros, Prof. Universitário
José Bracinha Vieira, consultor jurídico
José Eduardo Agualusa, Escritor
José Mário Branco, Músico
José Mussuaili, Jornalista
Lira Keil do Amaral, Professora
Luanda Cozetti, Músico
Luís Calheiros, Pintor/professor de Estética
Manuel Carvalho da Silva, Secretário-Geral da CGTP-IN
Manuel Freire, Cantor e Presidente da Sociedade Portuguesa de Autores
Maria Anadon , Cantora de Jazz
Maria Viana, Cantora de Jazz
Miguel Vale de Almeida, Prof. Universitário
Mito Elias, Pintor
Paula Teixeira da Cruz, Advogada
Pedro Bacelar Vasconcelos, Prof. Universitário
Pedro Joia, Guitarrista
Raquel Freire, Cineasta
Rui Tavares, Historiador
Sergio Trefaut , Realizador
Tito Paris, Músico
Vanessa de la Blétière, Investigadora
Xana, Cantora
Zé Pedro, Músico
ORGANIZAÇÕES PROMOTORAS DA CARTA ABERTA
Acção Humanista Cooperação e Desenvolvimento
Associação de Amigos da Mulher Angolana
Associação de Apoio ao Estudante Africano
Associação Caboverdeana de Lisboa
Associação de Cubanos Residentes em Portugal
Associação Khapaz
Associação Lusofonia, Cultura e Cidadania
Associação de Melhoramentos e Recreativa do Talude
Associação José Afonso
Associação De Solidariedade Caboverdeana da Margem Sul
Associação dos Ucranianos em Portugal
Ballet Pungu Andongo
Casa do Brasil de Lisboa
Colectivo Mumia Abu-Jamal
Frente Anti-Racista
GAFFE – Grupo A Formiga Fora da Estrada
Obra Católica Portuguesa de Migrações
Olho Vivo – Associação para a Defesa do Património, Ambiente e Direitos Humanos
UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta
Solidariedade Imigrante – Associação para a Defesa dos Direitos dos Imigrantes
SOS Racismo